A revolução de “Canudos”

João Vítor Perozzo | Elrinet

Durante o ano de 2018, vimos algo inédito e pouco esperado ocorrer. Após manifestações on-line sobre o impacto negativo de resíduos plásticos no oceano, uma série de marcas mudou o seu posicionamento, de maneira radical, para agradar o público. Isso significa que as marcas estão tendo que se renovar e se adaptar para continuar no topo do mercado. A era do materialismo exagerado e do cliente visto apenas como número chegou ao fim.

Posicionar-se é sobreviver
Antigamente, apenas um grupo mínimo de marcas posicionava-se sobre algum assunto. Como, por exemplo, a preservação ambiental e o desperdício. Não apenas isso: mesmo com a cobrança do público, era difícil obter qualquer retorno de uma empresa.
Com a mudança do comportamento do consumidor, as marcas precisam se posicionar sobre o que o seu público vê como relevante. Vimos impérios, como a Burguer King, abolir o uso dos canudos e tampas plásticas em seus restaurantes. Tudo isso, pois a marca viu como vantajoso mostrar essa preocupação para com os seus consumidores.

Tendência no comportamento do consumidor
Há uma parcela, que cresce cada vez mais, de consumidores que têm consciência do impacto negativo que advém do consumo exagerado e irresponsável. Além disso, essa classe entende que esses resíduos impactam em seres humanos, animais e meio ambiente.
Por causa dessa nova forma de consumo, estilos de vida como o veganismo e produtos eco-friendly vêm ganhando espaço. Dietas vegetarianas e produtos que não promovem testes em animais também estão sendo cada vez mais exigidos.

A ética (não apenas ambiental) em destaque
Em um mercado extremamente saturado, o consumidor deixou de buscar apenas opções de qualidade. Afinal, há diversas opções viáveis para compra e consumo. Diante disso, o filtro utilizado na hora de realizar uma compra se intensificou e um dos principais gatilhos que está excluindo marcas na hora da compra é a ética.
Isso quer dizer que o consumidor está priorizando empresas e marcas que valorizem o que é bom – não apenas para si, mas também para os outros ou para a sociedade. É necessário que a empresa valorize princípios e busque a felicidade de seus parceiros, colaboradores e consumidores.
Hoje, não há mais espaço garantido no mercado para quem vende um produto ou serviço que não estejam agregados à oferta de valores como felicidade, tranquilidade, prazer, liberdade e/ou sustentabilidade.
Não basta pensar ou apresentar um código de ética, é preciso imprimir elos que aproximem pessoas que acreditam nesses mesmos valores. Más práticas ou falta de transparência são inadmissíveis para as novas gerações. Não há como aceitar esse desrespeito com o cidadão/consumidor.
Incorporar esses ideais pode renovar, de forma positiva, a imagem da empresa e sua participação no mercado. Priorizar ações e princípios éticos funciona, indiretamente, como fator motivacional interno, aumentando valor e maximizando riqueza aos olhos dos colaboradores e interessados pela empresa.

E você, já realizou uma revisão ética dos processos da sua empresa?

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