Artigo "O vírus das portas fechadas"

Portas abertas remetem a olhares e sorrisos de boas-vindas, é receber o outro e entregar afeto. Portas abertas deixam a luz entrar. Portas abertas permitem o respirar, energizar e acalentar. Portas abertas são sinônimo de expectativa, de novas perspectivas. Portas abertas enviam mensagens de afeto, permitem trocas de ideias, carinho ou mesmo de olhares que se entendem dispensando os gestos. Em nossa cultura, portas abertas pressupõe família reunida ao redor da mesa farta de delícias e conversas calorosas. As portas abertas traduzem em si a convivência, a doação: dar de si e receber do próximo. Surpresas e boas notícias vêm das portas abertas. Carinho, afeto, abraço apertado, encorajamento para viver o cotidiano com mais fé e esperança.

A Covid-19 nos tirou as portas abertas, a convivência. O vírus das portas fechadas nos obriga a praticar o distanciamento social, está comprometendo nosso futuro financeiro, nossa saúde e equilíbrio emocional sem data para terminar. Paira pelas ruas e ronda o dia a dia das pessoas, impactando nossa rotina com incertezas diante de um intruso invisível.

Com as portas fechadas, o comércio não pode atender os clientes, princípio básico de sua vocação. Representando os interesses legítimos de nosso segmento que emprega e dá sustento a famílias, que dá vida às cidades, que é referência no desenvolvimento local como facilitador da vida de todos, buscamos todos os dias alternativas para que sejamos reconhecidos como essenciais para o consumidor. Conquistamos, nas últimas semanas, a autorização do Estado para atender no comércio eletrônico, por meio de tele-entrega, pegue e leve e drive thru, o que não impede perdas. Estamos vivendo pela segunda semana com bandeira vermelha na região de Caxias e reivindicamos o direito de abrir com 25% dos funcionários. Para nós do comércio, que respeitamos os protocolos de segurança, o abre e fecha deve ser uma decisão local, tomada por quem conhece a nossa realidade: o poder executivo municipal. Queremos ver funcionando uma parceria para melhorar essa situação porque é injusto que apenas um segmento seja penalizado sozinho. Não somos responsáveis pela disseminação desse vírus, que circula com a movimentação das pessoas nas ruas e não pela presença do cliente que usa máscara, álcool gel e segue regras para provas de roupas em um atendimento seguro e responsável. Precisamos juntos buscar alternativas para tornar o comércio mais sustentável, investindo em bom senso e em regras que possam ser aplicadas à realidade. Seria pedir demais?